História

De volta à América

Atuando no cinema em ritmo frenético, Bruce participa de mais 14 filmes entre 1953 e 57, mas brigar na rua parecia mesmo ter se transformado na sua principal “ocupação”. Mesmo porque desafiar Bruce Lee nas brigas de rua de Hong Kong passou a ser uma questão de honra para as gangues rivais.

Mas o tempo fechou para ele em 1959, quando derrotou o filho de uma temida família ligada ao crime e foi jurado de morte. A solução foi mandá-lo de volta à sua San Francisco natal para morar com a irmã Agnes Lee e trabalhar num restaurante de parentes de seus pais, no famoso bairro de Chinatown. Mudou-se logo depois para Seattle onde dividia seu tempo entre a faculdade de filosofia, os treinamentos de kung fu e seu emprego de lavador de pratos.

1963 é um ano decisivo na vida do jovem Jun-fan: além de conhecer Linda Emery, com quem viria a se casar no ano seguinte, ele também abre em Seattle sua primeira academia de artes marciais, batizada de Lee Jun Fan Gung Fu Institute. Em 64, muda-se para Oakland, onde funda sua segunda escola.

O estilo inovador e a impecável aplicação de Bruce Lee o levaram à televisão norte-americana, onde atuou no seriado O Besouro Verde (The Green Hornet), no importante papel de Kato, o ajudante do herói. O seriado durou pouco, mas o suficiente para projetar a fama de Bruce, que abre em Los Angeles outra filial de sua academia e passa a treinar astros do cinema.

A Ascensão do Dragão

Retorna a Hong Kong em 1971, onde é convidado para viver o protagonista de O Dragão Chinês (The Big Boss). O filme se torna um grande sucesso. Logo em seguida ele estrela A Fúria do Dragão (Fist of Fury), que quebra todos os recordes de bilheteria, e O Voo do Dragão (The Way of the Dragon), que lhes abrem as portas dos mercados cinematográficos norte-americano e mundial. Nos Estados Unidosfilma Operação Dragão (Enter the Dragon), que estreia em 26 de julho 1973.

Porém, seis dias antes da estreia asiática, em 20 de julho de 1973, Bruce estava em Hong Kong, onde à noite jantaria com o ex-James Bond George Lazenby, com quem pretendia fazer um filme. À tarde, entre duas e quatro horas, reuniu-se com Raymond Chow, com quem tratou detalhes sobre O Jogo da Morte, longa cujas filmagens haviam sido interrompidas para priorizar Operação Dragão. Ambos foram depois para a residência da atriz Lee Betty Ting, onde conversaram sobre o roteiro do filme.

Terminada a reunião, Chow foi embora e Bruce permaneceu por mais algum tempo na casa de Ting. O astro queixou-se de dor de cabeça e tomou um analgésico que lhe foi oferecido pela colega. Voltou para casa e foi deitar-se por volta das 19:30, para descansar um pouco antes do jantar com Lazenby. Não acordou mais. Na autópsia, foi constatado um considerável inchaço em seu cérebro. E nenhum sinal de qualquer tipo de contusão externa. Sua morte foi uma comoção mundial.

Vinte anos depois, mais precisamente em 31 de março de 1993, outra tragédia: seu filho Brandon Lee, que atuava em seu quinto longa – O Corvo (The Crow) – morre em pleno set de filmagem, atingido por uma bala que deveria ser de festim. Ele tinha apenas 28 anos.

Fatalidade, incompetência, acidente, maldição, destino, não importa. Importa que a meteórica carreira de Bruce Lee, aliada à sua fantástica habilidade para as artes marciais, e temperada com a dramaticidade dos acontecimentos fatais fizeram dele um ícone inesquecível da cultura pop. Um nome que entra não apenas para a História do Cinema, como também para a própria mitologia do século 20.